No Brasil, muito se fala em políticas sociais. Investimentos em educação, saúde e moradias dignas são as mais discutidas. Apesar de serem direitos de todo cidadão, são inacessíveis a um grande número de brasileiros, aumentando assim, a desigualdade entre as classes sociais.
Na ultima década, uma nova política foi incluída na lista de preocupações: A chamada “Inclusão digital”. Todos têm o direito de acesso à informação, mas o que acontece é o contrário. A informação está sob o controle das classes de alta renda e, os que não se encontram neste patamar, são empurrados mais e mais para as margens da sociedade.
Os números comprovam: Enquanto 66% das escolas privadas possuem acesso à Internet, nas escolas da rede pública o número é bem menor, apenas 19%. As novas tecnologias estão restritas a um pequeno grupo de pessoas que detêm o poder de articulação, e tomam decisões pelo todo.
Muitas barreiras separam o mundo dos incluídos, dos excluídos digitais. Uma delas é a linguagem. O “internetês” é comum para quem está dentro do universo digital, mas para quem desconhece as novas simbologias, neologismos e palavras estrangeiras apropriadas pelo nosso idioma, se sente perdido em um lugar que não é seu.
Pesquisas apontam que o brasileiro é o sétimo do mundo em tempo de acesso à Internet. Em número de usuários do site de relacionamentos Orkut, o Brasil é campeão. A inclusão digital no Brasil está sendo feita de forma errada. O tempo gasto na Internet está sendo usado essencialmente para o lazer, enquanto há tantos outros aparatos para serem buscados na rede.
Antes de pensarmos em inclusão digital, precisamos pensar no porquê dessa inclusão. Não se pode entrar em um ringue sem saber lutar, desse jeito não há vitória. A consciência de que o acesso à informação forma opiniões e torna a pessoa integrada ao que acontece ao seu redor, deve ser plantada em todos nós, inclusive nos que têm esse acesso. Pouco adianta termos o acesso à Internet e não sabermos exatamente o que buscar. Não adianta ter a arma na mão, é necessário saber usá-la.
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